terça-feira, 29 de novembro de 2016

criação de tilápias com tucunaré


O problema de crescimento populacional acelerado ocasionado pelas tilápias pode ser resolvido com consórcio, no mesmo tanque de peixes que são seus predadores. O tucunaré, preferido para esse fim, possibilita ainda o crescimento e a engorda dos peixes com tamanho comercial.
tilápia (Oreochromis nilo­ticus) é um dos peixes mais conhecidos da piscicultura brasileira. Originário da África, é tipicamente tropical e, por sua facilidade de manejo, rus­ticidade e resistência às doenças, é preferido nas criações em tanques. Além de todas as facilidades, a ti­lápia é um peixe de reprodução rápida e fácil, chegando mesmo a se transformar em problema para os criadores, pois ocasiona um au­mento populacional desgoverna­do, reduzindo o espaço e cau­sando diminuição no peso médio dos peixes.
Uma das alternativas encontra­das para reter o demasiado cresci­mento populacional das tilápias é a utilização de predadores natu­rais. Estes predadores, como o tu­cunaré, acabam. por resolver o problema de população sem impe­dir o desenvolvimento de ambas as espécies. Com isso tem-se uma criação em conjunto onde apro­veita-se melhor as instalações já construídas.
O tucunaré (Cicha ocellaris) é um peixe carnívoro de clima tropi­cal, originário do Brasil. Muito di­fundido no Norte do país, é o maior entre os de sua espécie, po­dendo atingir pesos superiores a 8kg. Com a criação associada es­se peixe acaba por ter a função de controlar, além do crescimento populacional excessivo, a repro­dução precoce e a produção de ti­lápias anãs. O tucunaré se ali­menta dos peixes pequenos, não alterando o crescimento e en­gorda das tilápias já com tamanho comercial.
O mesmo controle também pode ser feito com outros predadores, como o Black-bass e o trai­rão. Ou através do desbaste perió­dico, feito com pescas seletivas programadas, onde se separam os peixes machos para que terminem seu ciclo de vida (são precoces em relação às fêmeas). Outro pro­cesso utilizado é o cultivo monos­sexo, ou seja, a produção única de tilápias machos resultantes do cru­zamento das espécies tilápia­nilótica e tilápia-de-zanzibar. To­dos, é claro, funcionais mas menos lucrativos, o que aumenta ainda mais as vantagens comerciais com o tucunaré consorciado.
CONSORCIO
O consórcio tilápia-tucunaré é feito em tanques de 400m2 com uma profundidade de 1m. A densidade adotada é de 1 peixe por metro quadrado.
O povoamento dos tanques é feito com tilápias de 14 ou 15g (8,7cm de compri­mento) e com tucunarés de 10 a 13g (9,4cm de comprimento). A quantidade adequada de tilápias para cada tucunaré deve ser ob­servada, pois o equilíbrio depen­derá dessa proporção. A mais indi­cada fica ao redor de 6 tilápias . para cada tucunaré (6: 1 You, no máximo, 9 (9: I).
SISTEMAS
Existem três tipos de criação executados em função deste consorcio. Um deles é a exploração extensiva, ou seja, onde se faz a adaptação da produção de peixes. aos alimentos naturais de sua região de criação.
O segundo é a exploração semi­intensiva, também destinado à produção, e onde os peixes se alimentam de plânctons, resultantes da adubação nos tanques.
O terceiro tipo é chamado de exploração intensiva. Nela são co­locados implementos e suplementações alimentares na forma de ra­ções destinadas à engorda dos peixes.
Para saber qual Q mais indicado para o seu caso analise seus recur­sos naturais e sua disponibilidade de recursos. A piscicultura, lem­bre-se, objetiva não só a multipli­cação, mas também a obtenção de produtos com qualidade.
ADUBAÇÃO
A primeira adubação é feita duas semanas antes da colocação dos peixes nos tanques. Depois é repetida de 15 em 15 dias nos me­ses quentes, ou de mês em mês em épocas frias.
A quantidade mensal de adubo utilizado para tanques de 400m2 é: looglm2 de adubo orgânico (es­terco bovino ou de aves), 3,Ig1m2 de adubo mineral (sendo 60% de superfosfato simples), 35;~ de sul­fato de amônia e 5% de cloreto de potássio. O pH da água dos tanques deve ser mantido entre 7,8 e 8,3.
POVOAMENTO
Com o tanque adubado e de­pois de passado o prazo neces­sário, você pode enchê-lo, respei­tando a quantidade de 1 peixe por metro quadrado, já misturados dentro das proporções entre as espécies (tilápia/ tucunaré).
Quando transferir os peixes para os tanques evite o choque térmico causado pela diferença de temperatura entre as águas que os guardavam. Antes de soltá-los. co­loque-os em sacos plásticos e deixe-os por 15 minutos imersos nos tanques para que as temperaturas se igualem. Se estiverem em latas ou baldes, faça a transferên­cia bem devagar, retirando a água do balde e colocando a do tanque com lentidão.
Seja qual for o seu sistema de criação, a alimentação não varia muito e, nesse caso, é indispensá­vel o fornecimento de comple­mentação, onde são usados sub­produtos agricolas. A ração é com­posta de 25 a 35% de proteína pura em farinha de arroz, trigo, farelo de mamona, torta de babaçu. É fornecida na proporção de 5% do peso vivo de animal nos primei­ros 6 meses, caindo para 3% nos meses finais (terminação). Esta proporção pode ser calculada retirando-se do tanque lO;:' dos peixes. Pese-os e divida o resultado pelo número de peixes colhi­dos, multiplicando em seguida pelo número de peixes existentes no tanque (número de peixes ve­zes 10). Desta maneira você terá uma média de quanto peso-vivo você tem em cada tanque e ficará fácil o cálculo da ração a ser fornecida.
Em 302 dias você pode fazer a despesca, retirando uma produção de acordo com o consórcio tilá­pia/tucunaré utilizado (ver qua­dro). Para o exemplo de nosso tan­que (400m2) a quantidade de 400 peixes é considerada ideal.



Os Jumentos


Os Jumentos são muito cotados, pois através do seu cruzamento com éguas é que se produz burros e mulas, tão necessários no trabalho do campo. Principalmente pelo alto custo de máquinas e combustível.
A criação de jumentos ou je­gues vem-se destacando nos últimos anos que atualmente os criadores estão muito preocupados com o melhoramento das raças, principalmente, diante dos altos preços de mer­cado, na maioria das vezes superiores aos preços de cavalos. Nordeste, por exemplo, os jegues estão tão caros que os agricultores estão optando por bicicletas como meio de transporte.
No Brasil existem quatro raças de asininos, destacando-se os ju­mentos da raça pega ou mineiros, criados principalmente em Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Goiás e alguns Estados do Nordeste; o jumenta paulista ou brasileiro, cria­do no Paraná, São Paulo, Minas e Sul do País; o jumento italiano, criado em Minas, São Paulo, Goiás e Centro-Sul do País; e os jegues nordestinos, cujos maiores plantéis estão nos Estados do Nor­deste e no Norte de Minas.
São duas as finalidades da cria­ção de jegues e jumentos: para produção de burros e mulas - re­sultantes do cruzamento com a é­gua -, que servem para montaria e trabalhos pesados; outra opção é a criação para a obtenção de ju­mentos e jumentas, cujo plantel é baixíssimo no País e, por esse mo­tivo, alcança excelentes preços de mercado. E a grande vantagem decriá-los é que se adaptam bem a climas diversos e não são exigen­tes quanto à alimentação.
Existem crenças a respeito do leite da jumenta, que é considera­do em algumas regiões como re­médio eficaz no combate a certas doenças. É comum o seu uso na alimentação de pessoas fracas e debilitadas e a sua constituição é semelhante à do leite materno, quanto ao teor de cálcio, gordu­ra, açúcar, caseína e fósforo. Nas áreas do sertão nordestino, o leite de jumenta é usado por pessoas com problemas alérgicos e asmáti­cos, principalmente crianças.
Praticamente não existem pes­quisas com jegues e jumentos, a não ser o trabalho dos criadores que vêm selecionando esses ani­mais. Desse modo, a criação é fei­ta de acordo com a experiência de cada um. Se você quer começar a criação, saiba que estará ajudando na preservação da espécie, princi­palmente se optar por criar os je­gues nordestinos, vítimas dos aba­tes indiscriminados por parte dos frigoríficos da região, que comer­cializam a sua carne como se fosse a de cavalos, para a fabricação dos enlatados.
COMECE PELO PASTO
Comece plantando o capim para os animais. Escolha a varie­dade que produz melhor na re­gião, cerque toda a área com ara­me farpado, dividindo-a para a co­locação dos lotes de animais. Faça piquetes para o reprodutor, que deve ficar em local separado e só levado à fêmea para cobertura.
Adquira um bom macho repro­dutor e as fêmeas - éguas ou ju­mentas -, de acordo com o objeti­vo da criação. Solte as fêmeas sol­teiras (sem cria no pé, prenhe ou não) nos pastos. Não é preciso construção alguma no local, a não ser cercas. Coloque o reprodutor em piquete, sempre sozinho.
Assim que forem nascendo as crias, divida-as do seguinte modo: 1) fêmea parida com cria ao pé; 2) fêmeas e machos desmamados até um ano; 3) produtos em cresci­mento - a partir de um ano -, se­parados por sexo (machos a partir de um ano de idade são criados em lotes separados). Para as fê­meas, separe um bom pasto para a maternidade. Construa no local uma cobertura com telhas para proteger a mãe e a cria das chu­vas. No local, coloque um cocho para fornecimento de sais mine­rais à fêmea. Essa construção deve ficar próxima à sede da propriedade, para facilitar o trabalho. A me­lhor água é a corrente, mas na fal­ta desta podem-se usar bebedou­ros.
Crie os animais nos pastos ape­nas com esse tipo de alimento, que é suficiente para atender às exi­gências dos asininos. Num pasto de produção razoável, é possível colocar cerca de seis cabeças por alqueire, ou duas a três cabeças por hectare. Não se esqueça de plantar capineiras (área plantada com capim) para o período da en­tressafra. Complete a alimentação da fêmea parida com cria ao pé, do reprodutor e dos produtos em crescimento com sais minerais.
A gestação da jumenta, quando cruzada com jumento, dura 12 meses (365 dias); do jumento com égua (dando os híbridos burro e mula), 11,5 meses; enquanto a do cavalo com égua dura 11 meses. A idade ideal para a primeira cober­tura é a partir de 2,5 anos, tanto para o macho como para a fêmea. Em boas criações, onde há ali­mentação de boa qualidade, é possível cobrir a fêmea no sétimo dia após a cria, obtendo uma cria por ano. No Nordeste, por exem­plo, onde a criação é feita sem preocupação, o intervalo entre partos é de 18 meses - 12 de ges­tação e seis para a recuperação da fêmea. Mas, naquela região, os je­gues se alimentam de papel, restos de lixo, raízes, sabugo de milho, cascas de arbustos e capim.
A CRIA
A fêmea tem apenas um filhote de cada vez, e este é criado com ela até seis a sete meses, quando então é desmamado (na ocasião, principalmente no dia do desma­me, mãe e filho fazem o maior berreiro por causa da separação; o criador não deve ficar assustado, pois é normal). Nessa época, o melhor é comercializar os machos - já que um pode cobrir até 45 fê­meas - e deixar as fêmeas para aumentar o planteI.
A criação de jegues e jumentos é feita do mesmo modo: ambos têm as mesmas características zootécnicas, pertencem à mesma família e a única diferença é que o jegue é um animal mais rústico e subnutrido, principalmente em função da região onde é criado. O jegue era preferido ao cavalo ou burro, antigamente, por ser mais barato e até por ser um animal sa­grado, que serviu para carregar Je­sus, Maria e José até a estrebaria. Até hoje faz parte do folclore, nos presépios e em festas religiosas do povo nordestino. Costuma-se di­zer que, "quando um jegue rincha na baixa, é sol que racha", mas, "quando rincha no outeiro, é chu­va no terreiro".
Os jumentos raramente adoe­cem. Entretanto, o criador deve fazer vermifugação do plantei a partir dos seis meses e a cada três ou quatro meses, dependendo da região. Além disso, outro cuidado é com a encefalite, a principal doença que afeta a criação. Faça controle preventivo, vacinando o rebanho anualmente, a partir dos seis meses. Faça também um exame anual para verificar se há algum animal com anemia infec­ciosa. Apesar de algumas pessoas afirmarem que há tratamento para a doença, muitos criadores dizem que isso não é possível, só restan­do sacrificar o animalCreated by Readiris, Copyright IRIS 2010
Created by Readiris, Copyright IRIS 2010
Asininos (jumentos e jumentas) quando cruzados com Eqüinos (cavalos e éguas) resultam nos Muares (burro ou mulo e burra, besta ou mula). Todos os muares são estéreis, pois resultam do cruzamento de espécies diferentes. Apenas as mulas em rarissimos casos, podem dar crias. O cruzamento do jumento com a égua resulta, quando macho, no burro ou mulo. Quando fêmea, na burra, mula ou besta. O cruzamen­to do cavalo com a jumenta resulta nos chamados "bardotos ".