quinta-feira, 31 de julho de 2014

O USO DE PROBIÓTICOS NA ROTINA DIÁRIA

por: André G Cintra, MV, Prof. Esp.
(Artigo publicado na Revista Horse, 2013)

Muito se tem falado a respeito dos probióticos nos últimos anos. Antes de tudo é fundamental definir o que é probiótico: Pro = a favor, Bios = vida, isto é, substâncias que favorecem a vida do animal.

O objetivo do uso de probióticos, classificado pela indústria alimentar animal como aditivo, é favorecer o desempenho zootécnico dos animais, isto é, melhorar a performance nas diversas categorias, quais sejam, reprodução, crescimento e animais de trabalho e esporte.

Para se entender melhor sua importância, devemos entender um pouco do funcionamento do aparelho digestivo do cavalo.

Em seu processo evolutivo, o cavalo desenvolveu um aparelho digestivo da forma mais eficiente e eficaz para aproveitar os nutrientes disponíveis oriundos de forrageiras de forma a transformá-los em energia e poder ser disponibilizado e aproveitado rapidamente pelo animal.  O processo digestivo no cavalo é dividido em duas fases: enzimática, que ocorre essencialmente no estômago e intestino delgado, responsável pela digestão de proteínas, carboidratos não estruturais (como o amido), vitaminas hidrossolúveis e alguns minerais, e a digestão microbiana, que ocorre essencialmente no intestino grosso (ceco e cólon), responsável pela degradação dos carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose).

Ocorre que o processo digestório enzimático, natural à maioria dos animais, é um processo relativamente caro, isto é, consome energia para disponibilizar os nutrientes, através da produção de sucos digestivos que contém as enzimas, entre outros. Para um animal que tem necessidade de movimentar uma grande massa muscular a qualquer momento para fugir de predadores, qualquer custo energético adicional pode significar a sobrevivência ou a morte. Sendo assim, o equino desenvolveu uma relação de simbiose com micro-organismos que habitam seu aparelho digestivo, mais densamente no intestino grosso (ceco e cólon – que possuem cinco vezes mais bactérias e fungos que o intestino delgado) onde esses organismos é que realizam o processo de digestão, produzindo uma enzima denominada celulase, que é a responsável pela quebra da celulose e, através de processo fermentativo, disponibilizando energia através de ácidos graxos. Além disso, a microflora digestiva é responsável pela produção de vitaminas do Complexo B e Vitamina K. Esta é a chamada digestão microbiana.

A microflora digestiva do cavalo é altamente específica quanto ao tipo de alimento, volumoso ou concentrado, podendo mudar em mais de 100 vezes durante um período de 24 horas, refletindo alterações do tipo de nutrientes que compõe a dieta, sendo fundamental evitarem-se alterações constantes e bruscas na dieta, que podem levar a distúrbios metabólicos e desordens digestivas, comprometendo o desempenho do animal e seu estado de saúde.

Desta forma, o cavalo é totalmente dependente de bactérias e fungos que naturalmente habitam seu aparelho digestivo para poder sobreviver. Além disso, essa microflora digestiva é fundamental para inibir a proliferação de bactérias e outros micro-organismos patogênicos que naturalmente habitam o aparelho digestivo dos animais, como salmonelas e enterobactérias, capazes de causar diarreias e outras enfermidades, e manter o equilíbrio do organismo para uma vida mais saudável.

Devido a essa grande importância da microflora digestiva na vida do equino, quaisquer situações que levam ao desequilíbrio podem levar a perturbações da flora intestinal com conseqüências, às vezes, desastrosas.

As causas que levam a essa perturbação da flora intestinal são de diversas origens. Podem ocorrer por estresse em transporte ou competição, em um período pós-operatório, distribuição irregular de refeições, alimentações desequilibradas com escolha de produtos com excessos proteicos ou energéticos e/ou desequilibrados em celulose, antibioticoterapia prolongada, etc. 

É muito comum desejar um animal gordo, que nos dias de hoje é ‘sinal de beleza’, além de uma alimentação muito rica em proteína, com uso inadequado de alfafa e outras leguminosas, além de rações com teores elevados em proteína e isso pode causar a morte desta microflora, trazendo consequências desastrosas para o animal.

Todos estes fatores predispõem o cavalo aos desequilíbrios de sua flora intestinal. Este desequilíbrio, chamado dismicrobismo, poderá causar enfermidades digestivas que podem levar o animal à morte.

A mais conhecida destas enfermidades é a síndrome cólica, uma das maiores causas de mortalidade dos cavalos.

Além da síndrome cólica, este dismicrobismo predispõe o cavalo a quadros de laminite (aguamento), patologia extremamente grave e que pode ser prevenida com um manejo adequado.

O probiótico atua no aparelho digestivo do equino sendo um excelente auxiliar contra os desequilíbrios da flora intestinal. Graças à sua ação biorreguladora, ele permite encobrir os desequilíbrios, preservando assim suas funções essenciais de maneira geral e a saúde do cavalo.

Mas para que um probiótico possa ter uma ação efetiva, e ser chamado de probiótico, ele deve possuir características particulares:
ser cultura viva (pode ser bactéria ou levedura);
estar em alta concentração (106 UFC – unidades formadoras de colônia - organismos viáveis - por kg de alimento ingerido pelo animal)
ser oferecido em aporte contínuo (ininterruptamente, pois o micro-organismo externo fornecido ao animal não se estabelece no aparelho digestivo do equino, mas apenas está de passagem);
ser resistente às enzimas digestivas e ao pH do estômago;
ser competitivo em relação aos germes digestivos.
O que se procura quando se administra um probiótico ao animal é melhorar a eficácia alimentar através do aumento da atividade enzimática microbiana e aumentando a digestibilidade das fibras, disponibilizando assim melhor os nutrientes para o animal.

Além disso, espera-se uma melhora no estado de saúde do animal, pois há uma elevação das defesas imunitárias com uma diminuição da ação dos germes patogênicos.

Os micro-organismos mais utilizados como probiótico são os fungos e bactérias. O fungo Saccharomyces cerevisae (levedura de cerveja, antes do processo de fermentação que produz a cerveja) tem se observado bastante eficaz com resultados muito interessantes na preservação da microflora natural do equino. Muitas bactérias também possuem o efeito natural no processo digestório, porém a maioria delas, mesmo Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus plantarum e Bifidobacterirum bifidum, comumente encontrados em suplementos probióticos não atingem as especificações para se tornarem probióticos, isto é, não apresentam no animal os resultados esperados. 

Vantagens do Uso de Probióticos:

O que podemos observar é que, quanto pior for a qualidade e disponibilidade do volumoso para o animal, melhor o resultado com o uso de probióticos. Além disso, todo animal submetido a situações de estresse frequente, como animais de esporte, o uso constante pode auxiliar na prevenção de distúrbios digestivos e metabólicos.

Os cavalos apresentam uma melhora do estado geral (aspecto do pelo, qualidade dos cascos, etc.) e, sobretudo, uma queda significativa dos problemas digestivos.

Prevenindo e estabilizando os desequilíbrios da flora microbiana do organismo, o probiótico reforça as defesas imunitárias naturais, otimiza o aproveitamento da alimentação e reduz os problemas da digestão. De fato, obteve-se uma melhor cobertura das necessidades e uma segurança muito grande por limitar os efeitos das transições alimentares ou do estresse.

Em éguas em reprodução um aporte regular de alimento suplementado com probiótico permite assegurar uma melhor lactação. As dietas diárias são melhores valorizadas e as éguas não perdem peso de modo excessivo após o parto e apresentam uma melhor qualidade leiteira com aumento dos níveis dos elementos nutritivos e minerais do leite. Devemos nos lembrar que uma égua, com um potro de 45-50 kg de peso ao nascer, deverá produzir diariamente de 16 a 18 litros de leite. A produção leiteira melhora qualitativamente e quantitativamente, o que permite ao criador obter potros mais robustos e resistentes.

Devemos apenas nos atentar para a infinidade de produtos no mercado, de forma que atendam às especificações exigidas como requisitos para ser um verdadeiro probiótico e atuar como tal. Além disso, por se tratar de um suplemento contendo substancias vivas, devem ser adequadamente preservados e manipulados.



segunda-feira, 28 de julho de 2014


O mundo do cavalo passa por muitos lugares...
Temos o salto, o Adestramento, o Laço em Dupla, a Vaquejada, o Rodeio e muito mais...

Saiba mais sobre o rodeio:

A história do rodeio no Brasil se iniciou na cidade de Barretos. No ano de 1955 a pecuária era a maior atividade econômica da cidade, onde estava instalado, desde 1913, o frigorífico Anglo, ao qual os “corredores boiadeiros”, como eram conhecidas as vias de transporte de gado entre os estados, se encontravam e para descontração e diversão montavam os bois e cavalos, desafiando uns aos outros suas habilidades. De um passatempo entre os peões das comitivas, começou a atrair pessoas interessadas em ver o “espetáculo”.

Em 1947 na quermesse municipal, aconteceu o primeiro rodeio do país, realizado dentro de um cercado com arquibancadas, surge assim o que é conhecido o formato de rodeio. A 1ª Festa do Peão realizada no Brasil aconteceu sob uma velha lona de circo, e não poderia deixar de ser, a principal atração eram os peões que passavam meses viajando pelo Brasil a fora, agora eram estes as estrelas da festa.

Na década de 60 havia vários eventos ligados ao rodeio no Brasil, principalmente no estado de São Paulo. Muitos dos peões que antes tocavam a boiada, agora eram competidores, participando de rodeios atrás dos prêmios.

Saiba mais sobre Cavalos



quarta-feira, 23 de julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Vaquejada no Brasil

Derrubar o boi pelo rabo, a Vaquejada, é puramente nordestina.
Na época dos coronéis, quando não havia cercas no sertão nordestino, os animais eram marcados e soltos na mata.
Depois de alguns meses, os coronéis reuniam os peões (vaqueiros) para juntar o gado marcado. Eram as pegas de gado, que originariamente aconteciam no Rio Grande do Norte.
Montados em seus cavalos, vestidos com gibões de couro, estes bravos vaqueiros se embrenhavam na mata cerrada em busca dos bois, fazendo malabarismos para escaparem dos arranhões de espinhos e pontas de galhos secos. Alguns animais se reproduziam no mato. Os filhotes eram selvagens por nunca terem mantido contato com seres humanos, e eram esses animais os mais difíceis de serem capturados. Mesmo assim, os bravos vaqueiros perseguiam, laçavam e traziam os bois aos pés do coronel.
Nessa luta, alguns desses homens se destacavam por sua valentia e habilidade, e foi daí que surgiu a ideia da realização de disputas.
O Rio Grande do Norte é apontado como o estado que deu o primeiro passo para a prática da vaquejada, esporte que emociona e arrasta multidões para os parques onde acontecem as competições, feiras e apresentações de forró.
O historiador Câmara Cascudo dizia que por volta de 1810 ainda não existia a vaquejada, mas já se tinha conhecimento de uma atividade parecida. Era a derrubada de vara de ferrão, praticada em Portugal e na Espanha.
No Nordeste, desde a colonização, o gado sempre foi criado solto. A coragem e a habilidade dos vaqueiros eram indispensáveis para que se mantivesse o gado junto.
O vaqueiro veio tangendo os bois, abrindo estradas e desbravando regiões. Foram eles os grandes desbravadores do sertão nordestino, e muito especialmente do sertão do Seridó, região cheia de contos e lendas de bois e de vaqueiros.
Vaquejada, esporte reconhecido por Lei Federal
O peão de vaquejada hoje é regulamentado pela Lei 10.220 de 11 de abril de 2001 que considera “atleta profissional o peão de rodeio, vaquejadas e provas de laço”. Eles são as estrelas da festa.
Já os vaqueiros receberam em 09 de agosto de 2011, o registro do Ofício Saberes e Fazeres publicado em Decreto Oficial do Estado da Bahia n° 12.150 e reconhecimento por sua importância histórica e social como Patrimônio Imaterial da Bahia.
O Decreto publicado no Diário Oficial de 09 de agosto diz que:
Art. 1º - Fica registrado no Livro de Registro Especial dos Saberes e Modos de Fazer o Ofício de Vaqueiro, como bem cultural de natureza imaterial do Estado da Bahia.
Art. 2º - Fica o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC, autarquia vinculada à Secretaria de Cultura, autorizado a adotar as providências previstas em Lei, visando à execução deste Decreto.
Art. 3º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Como funciona
Numa pista de 120 metros de comprimento, por 30 metros de largura, demarca-se uma faixa aonde os bois deverão ser derrubados. Dentro deste limite será válido o ponto, somente quando o boi, ao cair, mostrar as quatro patas e levantar-se dentro das faixas de classificação. O boi será julgado deitado, somente caso não tenha condições de levantar-se. Participam desta competição sempre uma dupla de vaqueiros que terá direito a ter inscrito o animal designado para puxar em apenas uma vaquejada, estando o esteira permitido a participar de duas provas.
O boi que ficar da pá para frente, em cima da faixa receberá nota zero de imediato. A disputa do Campeão dos Campeões será feita na ordem decrescente, ou seja, da última colocação para a primeira.
A Vaquejada começa no primeiro dia do evento, quando também se inicia a seleção ou classificação das duplas de vaqueiros. Cada dupla enfrenta cinco bois. O primeiro boi vale 8 pontos, o segundo 9 pontos, o terceiro 10 pontos, o quarto 11 e quinto 12. Totalizando 50 pontos. E assim vai, 24 horas por dia até que se chegue a um vencedor. Tudo isso em 2 categorias; profissional e amador.